um post começa de uma mente destraída, surpreendida por um pensamento cortante decidido a surgir. ele perpassa sua consciência, consumindo sua atenção, estabelecendo relações, formando sentenças, orações e, então, períodos. o post não surge da vontade. mas tb não surge se não houver vontade alguma. ele surge da mente atenta. de um coração aberto a experimentar o outro. ele surge da necessidade de comunicar. de colocar em palavras algo que te envolve por inteiro. escrever traz mais do que leva. traz mais entendimento, mais vida à vida. escrever une pontos, nossos pontos imperfeitos, irrelevantes, fracos, esses mesmos, depois de um pouco de pensamento, nos eleva a conhecer a pessoa que chamamos de eu. se escrever é uma arte, caberia a todos se tornarem mestres dela, não a fim de serem autores de best-sellers, mas para escreverem e enxergarem a própria história que escrevem com a própria vida. um post começa, um texto começa e é como se nunca tivesse fim, pela idas e vindas de um conhecimento próprio que se dá a todo momento durante a vida...
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domingo, setembro 06, 2009
terça-feira, setembro 01, 2009
Sobre uma caixinha de plástico e o Fogo
"I left my heart in a plastic box / Deixei o meu coração numa caixa de plástico
on the bedside table / na mesinha de cabiceira
It will be locked till I get home. / vai ficar trancado, até que eu chegue em casa."
esses versos fazem parte da música "The Beginning" do The Classic Crime. a música tem sido um alvo de investigação pra mim.
Simplesmente não consigo captar o que ele quer dizer; talvez ele não queira se envolver tanto com as pessoas a ponto de se magoar; ou ele sinta tanta saudade de alguém que prefere deixar o coração meio que "de molho" por uns instantes. acho que qualquer hora dessas, quando eu menos esperar, vou entender melhor do que se trata. o importante é que o som deles tem me feito mt bem. e o ponto aqui é outro.
seja qual for o significado desses versos, sou levada a repensar algumas atitudes.
tenho sim procurado deixar meu coração "numa caixinha" guardado em algum lugar, longe das decepções, longe dos medos, longe da dor. sempre me ocorre o pensamento de que se eu me proteger o suficiente, não me decepcionarei como antes, não terei a dor de ver um investimento grande indo pelo ralo. aí a gente se cerca da superficialidade. já que ninguém se importou comigo quando me magoou profundamente, também não devo me importar com mais ninguém.
mas não é isso o que meu Deus pensa. e o que Ele pensa realmente importa. creio que Ele me manda amar, seja em qualquer circunstância. no fundo, não creio ser possível deixar o coração imune. o próprio trecho que citei mostra isso quando diz: "till I get home / até que eu chegue em casa".
Você sempre chega em casa, vc sempre se depara com a necessidade de "pessoas", de "amigos", ninguém habita sozinho por muito tempo. "em casa" você se dá conta do quanto é insuficiente; entende que a vida é feita de entregas, de dores, de alegrias e sorrisos que necessitam ser partilhados a fim de serem de fato experimentados.
a caixinha de plástico é muito pouco resistente.
q seja o Amor de Cristo o primeiro a romper com as reservas. a derreter o plástico. a me permitir confiar de novo. a investir de novo. a depender de novo. a caminhar junto de novo. e a entregar sempre a Ele, continuamente, sempre e sempre, qualquer acidente de percurso.
on the bedside table / na mesinha de cabiceira
It will be locked till I get home. / vai ficar trancado, até que eu chegue em casa."
esses versos fazem parte da música "The Beginning" do The Classic Crime. a música tem sido um alvo de investigação pra mim.
Simplesmente não consigo captar o que ele quer dizer; talvez ele não queira se envolver tanto com as pessoas a ponto de se magoar; ou ele sinta tanta saudade de alguém que prefere deixar o coração meio que "de molho" por uns instantes. acho que qualquer hora dessas, quando eu menos esperar, vou entender melhor do que se trata. o importante é que o som deles tem me feito mt bem. e o ponto aqui é outro.
seja qual for o significado desses versos, sou levada a repensar algumas atitudes.
tenho sim procurado deixar meu coração "numa caixinha" guardado em algum lugar, longe das decepções, longe dos medos, longe da dor. sempre me ocorre o pensamento de que se eu me proteger o suficiente, não me decepcionarei como antes, não terei a dor de ver um investimento grande indo pelo ralo. aí a gente se cerca da superficialidade. já que ninguém se importou comigo quando me magoou profundamente, também não devo me importar com mais ninguém.
mas não é isso o que meu Deus pensa. e o que Ele pensa realmente importa. creio que Ele me manda amar, seja em qualquer circunstância. no fundo, não creio ser possível deixar o coração imune. o próprio trecho que citei mostra isso quando diz: "till I get home / até que eu chegue em casa".
Você sempre chega em casa, vc sempre se depara com a necessidade de "pessoas", de "amigos", ninguém habita sozinho por muito tempo. "em casa" você se dá conta do quanto é insuficiente; entende que a vida é feita de entregas, de dores, de alegrias e sorrisos que necessitam ser partilhados a fim de serem de fato experimentados.
a caixinha de plástico é muito pouco resistente.
q seja o Amor de Cristo o primeiro a romper com as reservas. a derreter o plástico. a me permitir confiar de novo. a investir de novo. a depender de novo. a caminhar junto de novo. e a entregar sempre a Ele, continuamente, sempre e sempre, qualquer acidente de percurso.
sábado, julho 26, 2008
como B. explica a linguagem
"A linguagem = nem sei se eu a tenho ou se ela me controla. Sinto agonia tem vezes. Quero dizer, rrrr, mas não consigo, não sai, não corresponde ao que imaginei. Luto com as palavras. Sempre. Eu volto. Tento apagar, passar uma borracha mental naquilo que saiu estorvado. Gosto de expressar, de ser exata, de desenhar com letras e de te dar uma imagem do meu coração. Sem romancear. Só para dizer. Dizer. Libertário. Quero falar mais e tu queres me ouvir. Alcancei teu coração com essas palavras meigas que bolei, arquitetei no cantinho do meu quarto. Eu invento, baby. Faço um fingere do real das minhas emoções pra você ler. Finjo, mas não minto, sacas? Amo-te assim como existo, relação de conformidade, causalidade, consequência, temporalidade, condicionalidade, ou seja, tudo que as adverbiais me permitem. Você está entendendo? Meu amor é daqueles que me obriga a dizer, amo assim, com palavras calculadamente pronunciadas, pra te agradar. Uma linguagem facista que obriga a dizer, (como ensina Barthes) assim como um amor facista que não me deixa opção além de te amar e de te querer. Vês? Não queria romancear. Mas não me restam alternativas. Sou obrigada a dizer. a amar. a fingir, poeticamente, claro. Obriga-me a tua leitura a acabar isso aqui com um final legal, mas ele não há. Nem a leitura há, afinal. Oras, só estou pensando! E outra, já chegou o ponto. Vou descer do ônibus."
"A língua, como performance da linguagem, não é nem reacionária nem progressista; ela é simplesmente fascista; porque o fascismo, não é impedir de dizer, é obrigar a dizer"Leçon inaugurale au Collège de France, 1977
terça-feira, julho 01, 2008
como B. explica a saudade
"Mas você cisma em me escapar. Eu retorno, eu insisto, te procuro. Mas você persiste em escapar. É a tua memória que eu quero, o teu sorriso que esquenta, a tua voz macia. Mas não me recorda, porque você cisma em me escapar. É como se o cometa fugisse ao Pequeno Príncipe. É como se a sombra fugisse àquele que a produz. Você cisma em me escapar, mas não é capaz. O tempo fez isso. A distância fez isso. E tento tanto te recuperar, mas você cisma. Cismadamente meu. Meu poder em te reconstruir já é maior, hábil pela prática. Penso você, como obra da mente, da lembrança duvidosa. Quero memória viva, falante, presente e capaz de te fazer real. Mas calma que o amanhã bate à porta. Nem faz tanto tempo assim desde o último instante. É que nada substitui o teu real, a minha ficção me serve por instantes, mas nada é como a tua vivência. É que as memórias me escapam, como borboletas avessas à rede, como areia pelos dedos. É o teu estar que poetiza a minha vida, que me entrega canções de manhã cedo e que me dá olhares curiosos pela felicidade que mal se explica."
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