Mostrando postagens com marcador ficção. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador ficção. Mostrar todas as postagens

domingo, novembro 07, 2010

sobre ser aceito

ele caminhou pela multidão buscando um olhar
    em vão
todos pareciam grudados ao chão
assim que davam-se conta de sua imagem

ele caminhou buscando uma saudação
um "oi, estou te vendo"
mais uma vez, em vão
todos pareciam tão entretidos, tão ocupados

o tempo passou e ele se acostumou ao esquecimento,
à ignorância
ao nada

pensou estar pedindo demais
mas nao sabia que o que tinha era válido
era real e humano

ele só tinha a falta do "outro"
o mal, ou bem, que assola a humanidade desde que respirou
    o Adão, o primeiro homem

se aqueles que o ignoraram pudessem, nem que por um segundo,
experimentar a mesma dor intensa

correriam aos seus braços
pediriam-lhe um aconchego, reconheceriam a sua validade

este renegado poderia perguntar,

     "o discurso de amor é pura retórica  
     o querer levar Cristo a sério é papo "pra inglês ver"
     ou o cristianismo é sério de verdade???"

eu poderia perguntar, 
vc poderia perguntar.

quinta-feira, dezembro 11, 2008

o que vc sabe do futuro

o que vc sabe sobre o futuro?
jogou a pergunta ao ar sem querer resposta. Caminhou por uns instantes ao lado da namorada, guardando firme o entendimento que não o possuía. O futuro é plenamente imprevisível, ameaçador, obscuro, dono de si, cheio de prepotência e impera. Como não se sabe o que será de alguém dali a dois segundos, esse alguém é ou está refém.
a menina porém, corría em outra direção. Disse que sabia do casamento, das cores da festa, do vestido que queria. Que que é isso? Hã? perguntou o garoto, dando uma freiada brusca na estrada de seus pensamentos, fazendo contorno rapidamente, e daí, a passos largos tentando alcançá-la. O que mesmo?
Ela percebeu que a pergunta era mais uma afirmação. Percebeu que o namorado nada queria saber sobre seus sonhos futuros. Com aquela pergunta, simplesmente dizia estar perdido, ter medo do futuro, do desconhecido.
Na menina, os cantinhos da boca iam dando sinais da decepção e ele, na tentativa de desfazer o mal instaurado, fazia perguntas desconexas... as flores? as rosas? de que cor mesmo?
Mas que nada, no fundo, ele sabia que o "senhor futuro", aqueles segundos desconhecidos o tinham assaltado de novo, fora pego desprevinido, mãos ao alto, rendido, sem palavras, descoberto em sua falta de interesse. Oras, e eu lá ia saber de casamento?!
Para ela, já não era a primeira vez, em suas mentes infantis operavam lógicas diferentes. Ele era a pergunta e ela a resposta. Ele, o ponto de interrogação e ela, o ponto final, freqüentemente uma exclamação. Repetidamente iam escrevendo caminhos, frases, períodos inteiros de idas e vindas desse amor todo seu. Ele começa, ela acaba. Ele, o predicador, o verbo que pede o sujeito, um simples sujeito, o sujeito simples, a menina. Ela, então, porque sabe tudo consertar, e é sagaz, diz: "Sabe, eu devia mesmo era dizer, do futuro eu nada sei, mas sei que é com você."
E no fim, os dois concordam em gênero, número e grau.